Entre os dias 17 e 18 de junho, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) realizou a edição 2026 da Bienal das Rodovias, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília. O evento também celebrou os 30 anos de atuação da entidade no setor de concessões rodoviárias no Brasil.
Ao longo dos dois dias de programação, mais de 3,5 mil participantes, entre representantes do poder público, concessionárias, investidores, especialistas e entidades do setor, debateram os principais desafios e perspectivas para a infraestrutura rodoviária brasileira. Atualmente, o país conta com mais de 30 mil quilômetros de rodovias concedidas, um sistema que vem passando por transformações impulsionadas pelo amadurecimento do marco regulatório e pela incorporação de novas tecnologias.
Os debates abordaram temas estratégicos para a expansão e modernização da malha concedida, incluindo financiamento de projetos, atração de investimentos privados, diálogo institucional entre órgãos de controle e governo, mecanismos de consensualismo para resolução de conflitos, adaptação contratual diante de novos cenários econômicos e o uso crescente da inteligência artificial na gestão da infraestrutura.
Um dos momentos de destaque da programação foi o lançamento da nova edição do Pacto pela Segurança Viária, iniciativa liderada pela ABCR que reúne organizações públicas e privadas em torno do compromisso de reduzir em 50% o número de mortes nas rodovias concedidas ao longo da próxima década. A ação reforça a preocupação do setor com a preservação de vidas e com a melhoria contínua dos padrões de segurança nas estradas brasileiras.

Marco Aurélio Barcelos (Presidente da ABCR) e Carlos Laurito
Na cerimônia de abertura, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou os avanços recentes da agenda regulatória do setor rodoviário, especialmente a incorporação de critérios de sustentabilidade e resiliência nos contratos de concessão. Segundo o ministro, a evolução do marco regulatório brasileiro permitiu que as concessões passassem a contemplar instrumentos voltados à transição energética e à adaptação das infraestruturas aos impactos das mudanças climáticas, possibilitando a previsão de recursos específicos para financiar essas iniciativas.
“O Brasil tem se notabilizado por entregar uma agenda regulatória moderna e eficaz, que evoluiu muito nos últimos anos a partir da política de concessões rodoviárias”, afirmou Santoro durante sua participação no evento.
O ministro também defendeu a ampliação do debate sobre o impacto das taxas de juros no financiamento dos projetos de infraestrutura e ressaltou a importância de uma visão integrada dos diferentes modais de transporte para a redução dos custos logísticos nacionais. Segundo ele, o governo federal trabalha para diversificar as fontes de financiamento do setor, incluindo a emissão de debêntures de infraestrutura no mercado internacional, medida considerada estratégica para ampliar a capacidade de investimento em obras e serviços de transporte.
A edição 2026 da Bienal das Rodovias reforçou o papel das concessões como instrumento de modernização da infraestrutura nacional e evidenciou a busca do setor por soluções capazes de aumentar a eficiência operacional, atrair novos investimentos e promover uma mobilidade mais segura, sustentável e resiliente para o país.
Para o Presidente da BRASINFRA, José Carlos Pereira Ribeiro, presente ao encontro, 80% dos investimentos no setor rodoviário estão com as concessionárias. O setor está conseguindo um marco regulatório com novas tecnologias, o que demonstra sua força. Nesse sentido, o Ministro Santoro ressaltou a necessidade de interação com o setor na construção de programas de obras de artes especiais, restauração e conservas.
Para o Diretor Administrativo e Financeiro da BRASINFRA, Carlos Laurito, a interlocução com a ABCR, organizadora do evento, representa o chamado “ganha-ganha” na interação e crescimento do setor como um todo.
“A nossa participação em iniciativas como a Campanha pela Segurança Viária, Programa de ESG e Movimento pela Segurança das mulheres nas estradas, fortalece a importância da permanente inovação tecnológica no atendimento aos usuários, nas tecnologias implementadas nos sistemas construtivos de conservação das estradas e no atendimento da população em geral, salvando vidas, preservando o meio ambiente e trazendo desenvolvimento econômico e social”, afirmou Laurito.


