Presidente da Brasinfra Emir Cadar Filho fala sobre situação do país

no Fórum de Infraestrutura Grandes Construções 2018


Para apontar caminhos que busquem destravar os projetos de infraestrutura, o Fórum de Infraestrutura Grandes Construções 2018: “Por um novo projeto de Nação” reuniu executivos, consultores, administradores, entidades setorias, economistas, engenheiros, diretores, gerentes e profissionais atuantes nos setores de equipamentos, construção e saneamento para acompanhar as palestras ministradas por Emir Cadar Filho, presidente da Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações de Classe de Infraestrutura (Brasinfra), pela jornalista e economista Denise Campos de Toledo e pelo jornalista e comentarista político Kennedy Alencar.


O evento, promovido no dia 9 de agosto, no Espaço APAS, em São Paulo, é uma iniciativa da revista Grandes Construções, com o apoio da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). Na abertura do Fórum de Infraestrutura, o engenheiro Afonso Mamede, presidente da entidade, deu as boas-vindas a todos os presentes e destacou a importância da realização do encontro para contribuir no desenvolvimento de estratégias e ações que estejam de acordo com a realidade política e econômica atual bem como analisar formas de planejamento que permitam aproveitar as oportunidades resultantes de uma retomada das atividades ligadas à infraestrutura.


A primeira palestra do evento foi ministrada por Cadar Filho, da Brasinfra, que fez uma avaliação geral da área de infraestrutura, explicando que, atualmente, os investimentos – cerca de 1,7% do PIB – estão muito abaixo do necessário. “Nosso segmento é a locomotiva da economia do país. Não existe um aporte financeiro público ou privado se não há um mínimo de infraestrutura. Por exemplo, o agronegócio brasileiro tem obtido safras recorde ano após ano, porém para alcançar o máximo de rentabilidade, é necessário transporte e logística para escoar de maneira eficiente toda essa produção. Caso contrário, haverá muitas perdas. Por isso, digo que a economia é dependente da infraestrutura”. 


Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a nação precisa investir 4,15% do Produto Interno Bruto (PIB) por aproximadamente duas décadas para modernizar a infraestrutura do país. “Em 1983, nosso setor valia cerca de 58% do PIB. Ano após ano, vimos uma queda neste percentual, chegando em 2017 a 35,9%. Isso significa que não estamos acompanhando o desenvolvimento de nosso país tanto em termos de investimentos como em modernização do que já está consolidado. Se continuar desta maneira, haverá um déficit ainda maior”, explanou o presidente da Brasinfra.


Em sua palestra, ele ainda mostrou as consequências da falta de investimento, apontou algumas ações “anti-infraestrutura” e entraves governamentais e apresentou ao público propostas para viabilizar os projetos, incluindo agenda de reformas, segurança jurídica, planejamento, linhas de financiamento e privatizações. “Enquanto não garantirmos a segurança jurídica, não conseguiremos atrair bons investimentos privados e/ou externos, que são extremamente necessários para destravar a atual situação que vivemos”. Sobre as privatizações, Cadar Filho, avaliou que essa é a saída. “O capital privado investe e tem um retorno melhores. Mas ainda há segmentos que precisam dos investimentos públicos”, ponderou. 


A segunda apresentação foi proferida pelo jornalista Kennedy Alencar, que analisou o atual cenário político, destacando o enfraquecimento do Governo Temer, após as delações premiadas do Grupo JBS, que culminou na não aprovação da reforma da Previdência. Ele ainda ponderou sobre a importância de haver um maior equilíbrio e respeito entre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – para não criar uma disfuncionalidade no país, onde não haja “freios e contrapesos” entre essas instâncias.


A última apresentação ficou a cargo da jornalista e economista Denise Campos de Toledo, que forneceu uma análise abrangente do atual cenário econômico, trazendo dados sobre as projeções do PIB (crescimento de 1,5%), inflação (IPCA 4,11%), taxa de juros (6,5%), produção industrial (3%) e dólar (R$ 3,70). Os investimentos gerais estão ao redor de 16% do PIB, já no caso da infraestrutura, o fluxo de recurso está em torno de 1,5% do PIB. E, nos últimos três anos, houve uma queda de recursos para a área de 9%, em 2015, 5%, em 2016, e 6%, em 2017. 


Os participantes do Fórum de Infraestrutura 2018 também ouviram Denise sobre os grandes desafios estruturais no país: energia, transporte, logística e saneamento, e as estratégias para uma retomada das obras e projetos de infraestrutura paralisados no país, como a diminuição do Estado, segurança jurídica, mais eficiência das agências reguladoras, os acordos de leniência e um novo modelo de desenvolvimento.