Preço do asfalto já subiu 46,93% no Ceará, neste ano

  

A Petrobras decidiu rever a política de preços de asfalto no País. Ao invés de fazer ajustes mensais, como tem feito desde o início deste ano, passará para a cada três meses. Somente neste primeiro semestre, o preço do insumo já subiu 46,93% no Ceará. Empresários do setor da construção pesada dizem que os sucessivos aumentos já ameaçam continuidade de grandes obras no Estado.


Desde ontem, o asfalto está 8% mais caro no Ceará em relação ao mês anterior. É o quinto reajuste promovido neste ano pela Petrobras. Todos com o mesmo percentual. Porém, a estatal assegura que a periodicidade passará a ser trimestral, sendo o próximo em novembro.


“Esta alteração foi possível devido à dinâmica própria da comercialização e dos preços internacionais de ligantes asfálticos, que apresentam volatilidade inferior àquelas observadas para outros derivados de petróleo”, informa por meio de nota.


Ainda assim esta é uma conta que está mais pesada para o setor arcar, afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Ceará (Sinconpe-CE), Dinalvo Diniz. “O peso do asfalto no custo de uma obra gira em torno de 40%, mas se a obra for só pavimentação vai para mais de 80%. Em muitos casos, as empresas estão pagando para trabalhar porque os contratos administrativos só são revisados anualmente, enquanto o preço do asfalto está subindo todo mês”.


Ele diz que no Ceará ainda há o agravante que o Governo do Estado não está negociando a revisão dos contratos. “O que está acontecendo com o asfalto é o que ocorreu com o diesel. E o Estado é um dos poucos que não tem se sensibilizado para entender a questão. Muitas obras podem vir a parar por isso”.


O Departamento Estadual de Rodovias (DER) não informa quantas obras estão em andamento no Ceará – nem o percentual de paralisação -, mas diz, em nota, que “está analisando o reflexo da nova política de preço adotada pela Petrobras para os ligantes, e o seu respectivo impacto em obras rodoviárias no Estado”.


Em Fortaleza, dentre as principais obras onde o componente do pavimento asfáltico é representativo estão a requalificação das avenidas Virgílio Távora, Perimetral, Aguanambi, Jornalista Tomás Coelho e as obras dos túneis da Via Expressa. E, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), desde que se estabeleceu os reajustes mensais do insumo, os órgãos contratantes vêm se utilizando das cláusulas contratuais visando o restabelecimento do equilíbrio do contrato e a continuidade do fornecimento do insumo. “Nenhuma obra está parada, por conta dos reajustes”.


Nacionalmente, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) está discutindo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma solução conjunta para resolver esse problema. Dentre as propostas está a flexibilização das regras do que pode motivar a revisão de contrato.


Para o especialista na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, é fundamental que mecanismos de ajustes sejam criados em outras esferas. “É importante que a Petrobras dê continuidade a uma política de preços mais realista. O País já pagou um preço muito caro pelo represamento de preços de forma artificial”.